A medicina minimamente invasiva já não é mais novidade. Para muitas equipes, ela é a lógica predominante em dor, coluna, neurocirurgia, ortopedia e ATM. O que mudou nos últimos anos foi a combinação entre acesso percutâneo e métodos de imagem em tempo real (ultrassom, fluoroscopia, tomografia, navegação), que tornaram os procedimentos guiados parte da rotina do centro cirúrgico, não apenas atos isolados.
Do ponto de vista do hospital, isso traz dois movimentos simultâneos:
- aumento da sofisticação técnica dos procedimentos;
- necessidade de organizar melhor fluxos, kits, protocolos e treinamento.
Este texto faz uma visão geral, em linguagem objetiva, do impacto da medicina minimamente invasiva guiada por imagem na rotina do centro cirúrgico e dos pontos que precisam estar na mesa de quem coordena blocos operatórios e serviços cirúrgicos.
O que caracteriza a medicina minimamente invasiva no contexto do centro cirúrgico?
Na prática, falamos de medicina minimamente invasiva quando o objetivo é:
- acessar estruturas profundas por trajetos pequenos ou percutâneos;
- reduzir o trauma tecidual, sangramento e necessidade de grandes incisões;
- manter ou melhorar a eficácia terapêutica, com ajuda de imagem ou navegação.
Alguns exemplos típicos do dia a dia:
- Bloqueios de nervos periféricos guiados por ultrassom (associados ou não à estimulação do nervo);
- Neuraxiais com ultrassom pré-procedural, facilitando o acesso em pacientes difíceis;
- Procedimentos percutâneos em coluna (bloqueios facetários, radiofrequência, vertebroplastia, biópsias vertebrais);
- Artroscopia de ATM e outras articulações, com kits dedicados para acesso minimamente invasivo;
O denominador comum é a combinação entre técnica, dispositivo adequado e imagem. E isso conversa diretamente com o portfólio de dispositivos dedicados que o centro cirúrgico passa a demandar.

Como os procedimentos guiados impactam a rotina do centro cirúrgico?
Segurança e previsibilidade do procedimento
Estudos recentes sobre bloqueios guiados por ultrassom mostram taxas baixas de complicações e bom perfil de segurança, mesmo em ambientes de urgência. Em uma corte com mais de 2.700 bloqueios guiados, a taxa de complicações foi de 0,4%, sem eventos com impacto neurológico permanente.
Meta-análises também apontam que técnicas guiadas por ultrassom, em comparação com marcos anatômicos puros:
- aumentam a taxa de sucesso do bloqueio;
- reduzem punções vasculares;
- reduzem o número de tentativas.
Para o centro cirúrgico, isso se traduz em:
- menos necessidade de “corrigir” o plano anestésico em cima da hora;
- menos consumo de tempo com tentativas repetidas;
- ambiente mais previsível para cirurgião, anestesia e enfermagem.
Ocupação de sala e fluxo de pacientes
Na coluna e em outras áreas, revisões sobre cirurgia minimamente invasiva destacam:
- redução de sangramento intraoperatório;
- menor tempo de internação;
- menos complicações em determinados cenários, quando comparada à cirurgia aberta convencional.
O efeito prático no bloco operatório e na gestão hospitalar é:
- maior controle do tempo de sala esperado;
- giro de leito mais ágil;
- melhor uso de equipe e de recursos críticos (UTI, recuperação anestésica).
Alinhamento entre indicação, dispositivo e técnica
À medida que os procedimentos guiados ganham espaço, o centro cirúrgico passa a depender cada vez mais de kits específicos, com desenho compatível com a técnica:
- cânulas com perfusão, escalas e superfície ecogênica para bloqueios guiados por ultrassom;
- kits de biópsia vertebral desenhados para coleta segura de material em corpo vertebral;
- kits para vertebroplastia com componentes pensados para acesso percutâneo, controle de cimento e radiopacidade adequada.
Sem esses dispositivos, o hospital não consegue transformar a “boa ideia” do procedimento guiado em rotina operacionais confiáveis.
Exemplos práticos de medicina minimamente invasiva aplicada ao dia a dia
Bloqueios periféricos guiados por ultrassom
Na analgesia perioperatória, o uso de ultrassom para bloqueios periféricos e planos de parede abdominal trouxe ganhos relevantes:
- melhor visualização de nervos e estruturas vasculares;
- menor dependência exclusiva de parestesia ou estimulador de nervo;
- potencial de reduzir consumo de opioides e efeitos adversos.
Revisões sistemáticas e meta-análises mostram melhora de eficácia e menor risco de punção vascular com técnicas guiadas por ultrassom versus técnicas baseadas apenas em marcos anatômicos.
Impacto no centro cirúrgico:
- analgesia mais estável no pós-operatório imediato;
- alta de recuperação anestésica mais organizada;
- menor demanda de resgate analgésico dentro da sala.
Neuraxiais guiados por ultrassom
Em pacientes com anatomia difícil, obesidade ou cirurgias prévias, o uso de ultrassom pré-procedural para neuraxiais tem evidências consistentes de:
- maior taxa de sucesso na primeira tentativa;
- menor número de punções;
- redução de bloqueios totalmente falhos.
Para a equipe de anestesia e o centro cirúrgico:
- redução do tempo gasto em tentativas;
- menor desgaste da equipe e do paciente;
- menos situações de cancelamento ou mudança de plano em cima da hora.
Procedimentos em coluna: vertebroplastia, biópsias e cirurgias minimamente invasivas
Na coluna, a abordagem minimamente invasiva inclui:
- vertebroplastia/cifoplastia percutânea;
- biópsias vertebrais dirigidas;
- técnicas tubulares/endoscópicas em degeneração e deformidade.
Os estudos sobre vertebroplastia mostram um cenário heterogêneo, com ensaios randomizados sugerindo ausência de benefício claro em alguns perfis de paciente, mas também estudos com resultados favoráveis em subgrupos e contextos específicos.
Independentemente da posição em relação à indicação, o ponto central para o centro cirúrgico é:
- se o hospital for ofertar esse tipo de procedimento, precisa garantir kit adequado, protocolo e equipe treinada;
- acompanhar desfechos clínicos, complicações e critérios de indicação.
Revisões mais recentes sobre cirurgia de coluna minimamente invasiva apontam vantagens em sangramento, tempo de internação e algumas taxas de complicação, quando comparada à cirurgia aberta, sobretudo em contextos de doença degenerativa bem selecionada.
Desafios práticos para o centro cirúrgico
Curva de aprendizado e treinamento
Procedimentos minimamente invasivos têm curva de aprendizado própria. Estudos sobre curva de aprendizado em cirurgias de coluna minimamente invasivas mostram que há um número mínimo de casos para que o cirurgião atinja patamar estável de tempo de operação e taxa de complicações.
Isso exige:
- programas de treinamento estruturados;
- casos acompanhados por preceptores experientes;
- integração entre cirurgião, anestesia e enfermagem.
Padronização de kits e rastreabilidade
Kits específicos para cada técnica minimamente invasiva:
- reduzem risco de esquecimento de itens essenciais;
- facilitam a rastreabilidade de lote e validade;
- simplificam a vida da enfermagem de centro cirúrgico.
A padronização, apoiada por um parceiro que conhece o universo de neurocirurgia, coluna, ATM e dor, permite migrar de uma lógica “caso a caso” para uma lógica de linha de cuidado.
Integração com protocolos e indicadores
Para que a medicina minimamente invasiva não seja apenas “tecnologia nova”, mas sim parte da estratégia do hospital, é importante conectar:
- protocolos clínicos e cirúrgicos;
- dispositivos específicos (kits, cânulas, agulhas, sistemas);
- indicadores objetivos: tempo de sala, tempo de internação, taxa de reoperação, complicações, consumo de opioides, etc.
Dúvidas frequentes sobre procedimentos guiados no centro cirúrgico
Procedimentos guiados são sempre a melhor opção?
Não necessariamente. Eles ampliam o arsenal terapêutico e podem trazer benefícios importantes em segurança e recuperação, mas dependem de:
- indicação correta;
- equipe treinada;
- dispositivos adequados;
- alinhamento com a realidade do hospital.
O papel da gestão é decidir onde faz sentido incorporar e como monitorar resultados.
O investimento em kits dedicados compensa para o hospital?
Quando o centro cirúrgico passa a realizar com frequência bloqueios guiados, vertebroplastias, biópsias vertebrais e artroscopias, kits dedicados tendem a:
- reduzir retrabalho;
- diminuir tempo de preparo de mesa;
- facilitar rastreabilidade e auditoria;
- apoiar o cirurgião e a enfermagem com organização de passos.
Do ponto de vista de gestão, o investimento precisa ser avaliado em conjunto com indicadores de fluxo, complicações e satisfação da equipe clínica.
Como iniciar a transição para uma rotina mais minimamente invasiva?
Caminho prático:
- Mapear quais especialidades já têm aderência a técnicas guiadas;
- Escolher poucos procedimentos piloto (por exemplo, bloqueio guiado de nervo periférico, biópsia vertebral, artroscopia de ATM);
- Definir protocolos e kits específicos para esses procedimentos;
- Treinar equipe e acompanhar indicadores;
- Expandir para outras técnicas à medida que a estrutura se consolida.
Como a HCS apoia a medicina minimamente invasiva no centro cirúrgico
A HCS atua especificamente no desenvolvimento de kits e dispositivos para procedimentos minimamente invasivos em neurocirurgia, coluna, dor e Bucomaxilo, com foco em:
- desenho de cânulas, agulhas e componentes compatíveis com técnicas guiadas por imagem;
- produtos registrados na ANVISA, com padrão técnico elevado e rastreabilidade;
- suporte técnico e comercial especializado, em parceria com equipes médicas e distribuidores.
Mais do que fornecer material, o objetivo é participar da organização da linha de cuidado minimamente invasiva: da escolha dos kits à definição de aplicações práticas em sala.
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Assim, sua instituição não apenas incorpora procedimentos guiados, mas constrói uma rotina minimamente invasiva sólida, segura e sustentável, com suporte técnico em todas as etapas.